Quatro razões básicas porque sou contra a tortura


Uma das polêmicas da semana foi a notícia que alguns evangélicos em nome de Deus defendem a tortura. Na verdade, eu mesmo pude ler inúmeros relatos de crentes em Jesus defendendo o direito de alguém torturar outra pessoa, isso porque, acreditam eles, a tatuagem sofrida por um adolescente que tentou roubar um tatuador é justa e lícita. Para piorar a situação, alguns fundamentou sua crença na prática da tortura em Êxodo 22:02 que diz "se um ladrão for achado roubando, e for ferido, a pessoa que o feriu não terá culpa sobre seu sangue."

Ora, antes de qualquer coisa preciso afirmar que o texto em questão não possui a menor relação com a tortura. A expressão "Sendo ferido" relaciona-se com a legítima defesa; na verdade, este é um dos textos que validam tal ação. O verbo hebraico יִמָּצֵ֥א, "achado", pode ser traduzido como "descoberto", mas tem o sentido de "capturado". 

Isto posto, elenco quatro razões fundamentais porque sou contra a tortura:

1-) Pelo fato de que a tortura é um meio covarde, desumano, bem como perverso de tratar alguém. Aí, talvez alguém responda dizendo: "Ah! são ladrões, assassinos. bandidos, tem que torturar mesmo" 

Ora, nosso Senhor jamais incentivou a violência, antes pelo contrário, foi ele mesmo quem disse:

"Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado." (Mateus 5:38-42)

2-) Como cristão não posso ter um peso, duas medidas. Ora, seria um despautério eu condenar as torturas cometidas aos cristãos pelo Estado Islâmico e aprovar a tortura  feita a outros homens. E mais, como questionar e lamentar as torturas sofridas pelo Senhor nos momentos que antecederam a sua morte, ou o sofrimento que os nossos irmãos espalhados pela face da terra, experimentaram, defendendo a tortura daqueles que nos perseguem?

3-) O artigo 5º da Constituição Federal prevê que ninguém pode ser submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante (inciso. III). Portanto, defender a tortura é afrontar a carta magna brasileira, cometendo assim um ato de desrespeito a lei máxima do país. Senão bastasse isso, a lei 9.455/97 afirma que a tortura é delito grave e quem a comete é  inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

4-) Os que usam as Escrituras para justificar a tortura além de pecarem contra Deus fazem apologia ao crime, o que por si só ofende a Deus bem como as leis do Brasil. 


Isto posto, concluo dizendo que como cristão repudio e rechaço os que usam de tais meios para atingirem seus objetivos. Ademais, afirmo também que absolutamente nada é capaz de justificar alguém de cometer ato tão vil,  o que além de ferir os ensinos cristãos, envilece  a dignidade do homem.

Concluo dizendo que as Escrituras não concedem base para o justiçamento. Na verdade, a Bíblia, nos ensina que o Estado é que tem o poder da espada e não cidadão, o que nos leva ao entendimento que ninguém, absolutamente ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos.

Pense nisso!

Renato Vargens

0 comentários: